O Mistério do Natal

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Para muitos cristãos, esta época é, sem dúvida alguma, uma das mais aguardadas e celebradas com maior entusiasmo. Uma das perguntas que me colocam com alguma frequência, principalmente ao ir-se aproximando a quadra natalícia, é se é ou não errado o cristão celebrar o Natal pois afinal, sabemos que a origem da celebração natalícia remonta ao paganismo antigo.

É sabido que os principais “adereços” natalícios como as guirlandas ou coroas de natal e a árvore de natal tem a sua origem em antigos ritos pagãos. Já para não falar do dia 25 de dezembro, o dia escolhido pela igreja de Roma para comemorar o suposto nascimento do menino Jesus. Neste dia, de 24 para 25, os povos pagãos celebravam o deus sol (sol invictus).

Ao zelo excessivo de uns e à permissividade de outros, pretendo deixar aqui alguns pensamentos que nos ajudem a “celebrar” o que quer que seja, com entendimento, com alegria e de forma que Deus venha a ser glorificado.

Quero fazer menção de dois versículos do apóstolo Paulo escritos à igreja de Roma:
“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” (14:5-6)
Em outras palavras, nenhum dia é mais especial que o outro. Mas se alguém optar por fazer um dia ou uma época, especial, tire o máximo proveito para a glória de Deus. Então, quando fazes de algum dia um dia especial, dá-lhe um sentido redentivo. A questão não é se celebramos o Natal ou não, mas como nós celebramos e por que celebramos!
Agora, se optares por não celebrar algo porque tem conotações ou origens mundanas, é melhor não estudar “História da Civilização”. Dentro de algumas semanas, nem sequer mencione o Ano Novo, ou escreva: Janeiro,(o mês). Ao fazê-lo, estarás associando a tua agenda ao nome do deus romano que tinha duas faces – uma olhando para a frente, o ano novo, e outra para trás, olhando para o ano que passou.
Também não conduzas um carro da marca “Mazda”, porque esse nome vem do deus conquistador dos persas. Lembra-te também de eliminar o autocolante com a figura do peixe que está colado em teu carro. Este símbolo foi utilizado muito antes da Igreja o ter adoptado. Era um símbolo associado a vários deuses pagãos. Ao ser desenhado horizontalmente representava um peixe, mas ao desenhá-lo verticalmente representava o ventre de uma deusa.
Na China, a grande deusa Kwian-yin era representada pela figura de um peixe. No Egito, a deusa Ísis era conhecida como o grande peixe do abismo. Na Grécia, a deusa Afrodite era adorada às sextas-feiras, e os seus prosélitos comiam peixe em sua homenagem. Portanto, aqui temos um outro problema, não comas peixe às sextas-feiras, porque os adoradores de Afrodite faziam isso em sua honra. Na verdade, nem mesmo uses o nome ‘Sexta-feira’ (viernes, em espanhol), porque é uma transliteração do nome de uma outra deusa chamada “Vénus.”
Os cristãos primitivos usaram “emprestado” esse símbolo do peixe e deram-lhe outro significado. Também o utilizaram para marcar os seus locais de reunião; e como o símbolo era muito comum, ninguém desconfiava.
A questão é, se não quiseres ter qualquer associação com ícones ou símbolos de práticas pagãs, terás que viver numa caverna. Mas aí surge outro problema; viver numa caverna para fugir do mal também tem origem pagã.
Imagine então que estás conduzindo um Mazda, é sexta-feira e estás no mercado comprando peixe. Aí sim, estás em apuros! Se olharmos para isso, estamos deixando de lado o mais importante: o porquê comemorar e o que os símbolos significam para nós, como crentes, é o que deve nos distinguir como cristãos.
Creio que o Natal é uma fantástica oportunidade para exaltar a Cristo em nossa comunidade e minha recomendação é que aproveitemos esta oportunidade ao máximo.
Neste Natal, haverá centenas de pessoas reunidas em diferentes igrejas, que não as veremos mais, pelo menos até à Páscoa. Devemos aproveitar o que para eles é simplesmente uma celebração a mais. Eles vêm ver-nos, para ver o que fazemos; querem saber se o Natal é algo mais que um símbolo. Temos que nos certificar que a música é a adequada e que a mensagem é clara, para que saibam porque celebramos o que celebramos e, para que eles possam celebrar também. Temos que ter a certeza, o cuidado de separar o mito da mensagem.
Na verdade, existem muitos mitos, mesmo dentro da igreja, sobre a história do Natal. A igreja tem perdido muitíssimo porque a mensagem têm-se diluído, têm sido banalizada. A história do Natal é realmente uma cena brutal, solitária, desesperada, em circunstâncias de grande impacto emocional para o leitor. A história começa com intriga e termina com um assassinato.
1 Coríntios 10:31-33 “Assim, seja comendo, seja bebendo, seja fazendo qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis motivo de tropeço nem para judeus, nem para gregos, nem para a Igreja de Deus. Também eu procuro agradar a todos, de todas as maneiras possíveis. Porquanto não estou em busca do meu próprio bem, mas procuro o bem de muitos, para que sejam salvos”.

Que Jesus Cristo seja o personagem central do teu natal. Ele é o Alfa e o Ómega, tudo começou com Ele e terminará também com Ele.
Votos de boas festas para todos.